A Universidade da Floresta, na opinião do professor e biólogo Edinei Muniz, já nasceu morta, se é que algum dia nasceu. “O que existe, na verdade, é um núcleo da Universidade Federal do Acre, em Cruzeiro do Sul, que o governo resolveu chamar de Universidade da Floresta”, explica. A afirmação foi feita ontem à noite em entrevista ao programa “Conversa Franca”, na TV Rio Branco. Segundo Edinei, O PT confunde integração com entregarão. Não tendo competência para integrar, eles preferem entregar ao capital estrangeiro.
Formado em Biologia pela Ufac, Edinei é pós-graduado em Biotecnologia na Universidade de Lavras (MG) e cursa Direito na Uninorte. Edinei lamenta o fato de o governo ter optado por buscar parcerias externas. “A Fundação Ford, Americana e outras ONGs andam radiografando a biodiversidade do Juruá em troca de alguns milhares de dólares. Eles nunca imaginaram que seria tão fácil. Primeiro eles buscam as informações, depois, no futuro, não muito distante, eles virão atrás desses potenciais”. Com a palavra, a ministra, herdeira de Chico Mendes, Marina Silva.
Edinei diz ainda que o projeto original da Universidade da Floresta previa a criação de um fundo específico para captar recursos que garantissem sua viabilidade econômica. Ele diz que existe apenas muito barulho, muito alarde, nada mais.
Lançada em maio deste ano, com uma grande festa em Cruzeiro do Sul, a Unifloresta, segundo o professor Edinei, tinha uma proposta viável e poderia ser foco principal de pesquisa e estudo da biodiversidade da região amazônica e manejo sustentável da floresta.
Além da qualificação dos profissionais, a Universidade da Floresta, segundo Edinei, deveria abrir o campo de trabalho, já que, atualmente, há um aumento da demanda pelo uso da biodiversidade e do conceito de desenvolvimento sustentável da floresta. Mas não é isto que está ocorrendo.
O professor diz ainda que deveria ser criado o Instituto da Biodiversidade e Manejo dos Recursos Naturais, responsável pela pesquisa acadêmica que pudesse ir, aos poucos, semeando uma mentalidade científica e de respeito aos potenciais da biodiversidade. O modelo de pesquisa científica que deveria ser usado previa a utilização dos conhecimentos tradicionais dos povos da floresta, como seringueiros, índios e agricultores locais em parceria com o conhecimento científico da academia.
Além da pesquisa e do ensino, deveriam ser adotadas atividades de extensão da Universidade da Floresta, a criação de uma rede de laboratórios para qualificação técnica das comunidades da região em diversas áreas do conhecimento. “Eles afirmam que o projeto federal será feito em parceria com o governo do Estado, mas não apresentam orçamento definido”, afirma.
Universidade Estadual
Para Edinei Muniz, a Universidade Estadual defendida pela Frente da Cidadania e pelo candidato ao governo, ex-deputado federal Marcio Bittar (PPS), pode ser uma saída para os que sonham em se preparar para o mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. “A Universidade da Floresta, que inclusive teve nossa colaboração e tem nosso DNA, também tinha tudo pra dar certo, mas o governo preferiu fazer tudo errado”, lamenta.
Segundo o professor, a criação da Universidade Estadual se faz necessária, uma vez que a Ufac enfrenta vários problemas e corre risco de extinção. O governo Lula já deixou bem claro que não tem nenhum compromisso com a educação, sobretudo com o ensino superior. “Lula não estudou e acha que todos os brasileiros devem ser condenados a não ter acesso à educação de qualidade. Lula prefere comprar vagas nas Universidades particulares, através do Pró-Uni, quando deveria fortalecer as universidades públicas”, acrescenta.